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És o meu poema.

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És o meu poema.  O preferido. Aquele que não fala só de ti. Aquele que fala de nós. Nomeadamente porque a individualidade parece se ter perdido no dia em que nos descobrimos. E desta forma, perco-me nas tuas linhas. Perco-me de amor. Perco-me em finais felizes inventados antes de adormecer na cama de solteira a que me submeto. E continuo a procurar perder-me mais uma vez. Sempre mais uma vez. Porque não tenho racionalidade suficiente para me encontrar. Perdi a bússola pelo caminho. E na correria das nossas vidas, deixei de investir tempo a procurá-la.  Descrevo-te em parágrafos soltos. Em palavras tantas vezes complexas. És como as ondas do mar. Maioritariamente reconfortante, mas pontualmente devastador. E nem sempre a poesia traz finais felizes. A poesia é apenas uma maneira bonita de descrever o que de si traz amargura. A poesia tem em si a capacidade de ser profunda. Intensa. Recorrentemente obscura. Não transportasse ela para o léxico toda a confusão de um ser-hum...

No dia em que deixares de me amar, não me digas adeus

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No dia em que deixares de me amar, não me digas adeus. Não utilizes essa palavra tão crua para saíres pela porta pela qual entraste na minha vida. Tornaste-a, sem esforço, em algo que ela nunca fora antes. Não utilizes essa palavra tão nua quando aquilo que te dei foi tão cheio e aquilo que me deste tão teu. Deste-me o que nunca pensei receber sem surpresas preparadas. Escolhe outro vocabulário. Adopta um novo léxico. Inventa uma desculpa ou diz que vais voltar amanhã. Mas nu nca me digas adeus. E se nada mais te ocorrer dizer, opta pelo silêncio. Aquele que magoa menos do que o barulho das palavras erradas. Aquele que traz sempre a verdade consentida sem acrescentar nenhum ponto à história contada. Opta pelo silêncio e deixa que eu fique a sós comigo mesma. Deixa que eu chore sem que me vejas de joelhos no chão. Afasta-te depressa para que a última imagem que leves minha, seja a de uma mulher hirta e sem medo, como aquela que sempre conheceste. E se optares pelo silênc...

Tenho 25 motivos

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1. Gosto de ti porque me sorris. 2. Porque me fazes sorrir. 3. Porque me respeitas. 4. Porque te fazes respeitar. 5. Gosto de ti porque sabes o valor do silêncio num dia mau. 6. Gosto do teu pormenor. 7. Gosto de ti porque me conheces. 8. Porque nunca desistes de me conhecer. 9. Porque sabes quem fui. 10. Porque procuras saber quem sou. 11. E porque sonhas ser tudo comigo. 12. Gosto de ti porque me desejas e porque nunca desejaste assim. 13. Gosto dos teus olhos verdes. 14. Porque os teus olhos não me mentem. 15. Porque a tua verdade é a nossa verdade. 16. Gosto da inteligência com que levas a vida. 17. E p orque a partilhas comigo sem egoísmo. 18. Gosto das tuas mãos. 19. Gosto que me conduzas a destinos não planeados. 20. De ir e de não voltar a horas. 21. De ficar e deixar o copo meio vazio. 22. Gosto de ti porque me desafias. 23. Porque não me deixas parar. 24. Gosto do teu perfume. 25. Gosto que o deixes na minha pele pela manhã, todos os dias. Inês http...

Pai, meu querido Pai - Como pudeste partir quando tinhas tanto pelo que ficar?

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Pai, meu querido Pai... Tu avisaste-me e eu não escutei. Permaneci serena perante o teu telefonema, nunca esperando que fosse o último. Tu avisaste-me e eu não corri para os teus braços. E é esta a mágoa que nunca vou arrancar do peito. Parece que foi ontem. Parece que foi ontem que me contaram que tinhas ido embora. Nesse dia tive de fazer um esforço maior que o habitual para raciocinar. Não consegui, instantaneamente, encadear as palavras que me estavam a ser transmitidas. Demorei alguns minutos a interiorizar cada uma delas. Demorei largos minutos a conceber uma ideia clara perante o seu significado. E foi aí que o meu corpo caiu num vazio indescritível. As minhas mãos ficaram tão gélidas que me incapacitaram de as mover. Os meus olhos fecharam-se e foi no meu silêncio que senti, pela primeira vez, os gritos da minha alma. Foi apenas nesse momento que finalmente acordei do sono profundo onde me tinha colocado por um tempo indeterminado. Os meus músculos contraíram-se e, sem avi...

Entrelaça-me.

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Entrelaça-me. Não me largues. É inacreditável a paixão que nos move. O amor que nos sucumbe. Acho que já fazemos parte da mesma casa. Eu sou a tua, tu és a minha. E está tão quente cá dentro. Não está tão quente cá dentro? Tenho dúvidas que alguma vez tenha pertencido a alguém como te pertenço. Embora seja este um pertencer esquisito. Na verdade, não sou tua. Deixas-me entrar, mas obrigas-me sempre a sair. Tens permanentemente a porta semi encostada. Podia chamar-lhe de egoísmo ou materialismo carnal se os teus olhos não gritassem que me amam cada vez que me vêem chegar. E neste rodopio a que chamas de vida continuo a sentir-me incompleta. Tão incompleta quanto possas imaginar. Mas vou esperando que o tempo passe mais depressa do que o suposto, até porque o suposto deixou de fazer parte do nosso dicionário há demasiado tempo. Permaneço convicta que não tenho o direito de te fazer alguma exigência. Já carregas demasiado. Já suportas mais do que aquilo para que foste concebido. E talv...

Talvez a vida queira que eu espere

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Acho que por vezes deixo de entender o sentido da vida. Ela prega-me rasteiras quando eu até já sabia andar direita. Surpreende-me quando eu achava que já tinha visto tudo. Cria barreiras quando eu já tinha derrubado um exército inteiro. Consegue confundir-me. Deixar-me zonza. Como se tivesse bebido uns quantos copos de vinho branco. Mas desde cedo que foi sempre assim. Desde cedo aprendi a empurrar o chão para que os meus joelhos não ficassem esfolados. Desde cedo engoli verdades feias. Desde cedo fui obrigada a saber que o mundo não é assim tão bonito. E mesmo quando fui empurrada, fui em frente sem nunca empurrar. E sempre me convenci que se assim era, era porque assim tinha que ser. Sempre me convenci que era isso que me tornava mais real. Mais humana. Como se esse argumento me deixasse mais tranquila durante a noite em que a cama era demasiado grande para uma pessoa só. Em que senti uma solidão perturbante. Na verdade, era apenas ingenuidade. Porque sofrer não traz sabedoria, só ...

Eles merecem que os olhes de frente.

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Eles merecem que os olhes de frente. E com um sorriso maior que a tua altura. Eles merecem que passes altiva, de queixo para cima e com os passos bem largos. Merecem saber que saíste do chão para o qual te empurraram. E embora tenha custado, estás cá para contar a história. Eles merecem ver com os próprios olhos de que saíste da bolha que te obrigaram a criar.  Merecem saber que serão o exemplo que darás aos teus primos ou filhos daquilo que nunca vais querer em que eles se transformem. Merecem sentir quão medríoques se tornaram. Merecem que guardes os risinhos nervosos que te preencheram pesadelos, que lhes recordes os nomes feios que te chamaram ou as alcunhas com as quais  te etiquetaram. Palavras que hoje fazem parte de um livro de recordações que magoam mas não matam. Como se fossem pequenas cicatrizes, aquelas que sabemos que existem, mas que não nos tornam menos belos. Eles  merecem saber que a "gorda", a "atrasada mental" ou a "borbulha andante...